Mesmo com país em crise, em 2016 o Governo Federal teve recorde de arrecadação, mas pouco mudou para os estados

Por Julio Zarnitz

No dia 26 de janeiro a Receita Federal do Brasil divulgou os números da arrecadação realizada durante o ano de 2016, e juntamente com os dados sobre transferências de recursos para os estados e municípios é possível começar a analisá-los.

Vamos começar visualizando os números absolutos. Veja a tabela abaixo.

2016_Arrecadacao_Retorno.fw2

Em 2016 o Governo Federal repassou aos estados e municípios do Sul apenas 24,38% do que arrecadou em impostos federais. Mas houve uma evolução em relação a 2015, onde o retorno foi de apenas 20% (veja o resultado de 2015 aqui), seguindo a tendência dos demais estados, onde o retorno passou de 25% em 2015 para 28% em 2016. Veja a relação inteira no quadro abaixo.

2016_Arrecadacao_Retorno

Durante 2016 e neste início de 2017 ouvimos muito nas mídias que o Governo Federal teve suas receitas reduzidas por conta da crise instalada no Brasil, fazendo este cortar despesas, aumentar impostos e sugerir reformas. No entanto, ao analisar a série histórica dos últimos 10 anos da arrecadação do Governo Federal é possível notar que a arrecadação teve um aumento de 228,60%, sendo 5,60% de 2015 para 2016.

Vamos então comparar o crescimento da arredação com dois outros índices, o Índice Nacional de Preço ao Consumidor (INPC), que é o principal índice oficial de inflação; e o Produto Interno Bruto (PIB), que o principal índice que mede o crescimento econômico do Brasil.

2016_Arrecadacao_compara04Em um governo austero a expectativa é que o crescimento dos impostos acompanhem o crescimento do país ou sua taxa de inflação, mas ao compararmos com os dois notamos que, em verdade, tivemos aumento da carga tributária, pois o aumento da arrecadação foi muito superar a crescimento econômico e a inflação.

Veja a evolução da arrecadação por estado no quadro abaixo.

2016_Arrecadacao_total

Neste quadro acima podemos notar que em alguns estados a arrecadação aumentou 700% ao longo dos últimos 10 anos. Mas é preciso tomar cuidado com esta avaliação, pois apesar do país ter crescimento em média 20,21%, algumas regiões do país tivemos um crescimento maior que os demais. A região Sul teve um aumento de 320%.

Vamos também entender o que compõem esta arrecadação. O quadro abaixo mostra a relação de impostos, taxas e contribuições que compõem a arrecadação do Governo Federal em 2016.

2016_Arrecadacao_por_tributo

Note que as maiores fontes de arrecadação do Governo Federal é o imposto de renda e a Cofins, obtendo 34,4 bilhões e 29,9 bilhões, respectivamente. Estes dois representam 37% de toda a receita.

Ao comparar as receitas com as transferências de recursos nota-se que a única área que teve quase a totalidade de recursos transferidos para os 3 estados foi a previdência. O quadro abaixo mostra em quais áreas do Governo Federal investiu. Não comparamos a aplicação dos recursos entre os estados, pois cada estado tem uma necessidade diferente, fazendo com que seja necessário aplicar mais ou menos em determinada área.

2016_Transferencias_por_area

Veja que os Encargos Especiais obtém a maior parte dos valores investidos. Estes encargos são compostos principalmente pelo Fundo de Participação dos Municípios e pela transferências ao Governo do Estado. A Saúde vêm em segundo lugar, com 2,2 bilhões investidos em 2016, seguido pela Educação (545 bilhões), a Assistência Social (205 bilhões), o Urbanismo (98 bilhões) e a Agricultura (54 bilhões).

Neste post não conseguiríamos colocar a relação de todos os municípios e os programas de governo que receberam investimentos, então compilamos os dados e disponibilizamos uma planilha. Nela você poderá ver detalhado quais programas foram atendidos no PR, SC e RS, e no seu município.

Faça download dela aqui: https://tinyurl.com/hevx8zv

O movimento O Sul é o Meu País vêm apresentando já há alguns anos a tabela que mostra o quanto o Governo Federal transferiu aos estados da região Sul em relação a sua arrecadação. Os críticos a esta avaliação comentaram que os número não eram reais, pois não consideravam os investimentos federais das áreas sociais.

Hoje procuramos detalhar com quais tributos o Governo Federal obtém sua receita e aonde ele investe. Deixamos claro então que sim, o Governo Federal investe na região Sul apenas 24% do que arrecada em impostos, contando todas as áreas sociais. E este modelo é uma grandes críticas do movimento. Em casos como o Mensalão e a Lava Jato vemos que casos de corrupção obtiveram desvios de 30 a 40 bilhões de reais, mas em Educação foram investidos apenas 2 bilhões.

Em um país tão grande e centralizador quanto o Brasil é muito fácil se perder o controle das contas públicas, portanto, temos a necessidade de reduzir o tamanho do estado e descentralizá-lo, a fim de que a gestão, o controle e a fiscalização dos recursos sejam melhores.

Este é o grande motivo pelo qual o movimento O Sul é o Meu País sugere que os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul sejam independentes e adotem o modelo de República Municipalista Parlamentar. Desta forma a arrecadação, a gestão e a fiscalização se fará entre aqueles que realmente tem interesse no desenvolvimento de sua região, os próprios municípios.

REFERÊNCIAS


Julio Zarnitz é economista e administrador, e atua em consultoria tributária para sistemas de informação. Também é membro da comissão municipal de Joinville do movimento O Sul é o Meu País.

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