
Bruno Souza*
Você com certeza conhece o homem mais centralizador da história do Brasil. Seu nome está em praças, ruas e monumentos públicos espalhados por todo o território. Mas talvez você não saiba da sua cruzada para concentrar poder no Governo Federal e reduzir a autonomia dos estados.
Ele foi responsável por uma nova Constituição (apelidada de “polaca”), que dava ao Governo Federal o monopólio da legislação sobre direito civil, penal, comercial, eleitoral, processual, aéreo e do trabalho – tudo resolvido na capital, nada no resto do país onde as pessoas estão. A União também poderia até redesenhar as fronteiras dos estados: se o Grande Centralizador não gostasse do formato de Santa Catarina, poderia desenhar um estado novo; se amasse sua terra natal, podia deixá-la na forma de um coração.
A cruzada contra a autonomia dos estados foi tão intensa que teve até uma cerimônia de queima das bandeiras: as bandeiras representando os estados foram cremadas em praça pública, simbolizando a soberania absoluta da União sobre os estados. As Assembleias Estaduais foram dissolvidas, e o que sobrou dos estados foi governado por interventores federais.
E não ficou apenas no nível da política: o Grande Centralizador fez uma guerra cultural contra as diferenças locais. Uma política de nacionalização promovendo a identidade brasileira com símbolos culturais nacionais, cartilhas e produções culturais exaltando a grande pátria. Imigrantes colonizadores eram agredidos, e proibidos de falar seu idioma natal. Isso tudo acompanhado, é claro, de repressão das manifestações regionais e étnicas, que “atrapalhavam” o Brasil homogêneo.
O nome desse do Grande Centralizador você já deve ter adivinhado. Se você gosta de mais poder na capital, seja na Presidência, no Congresso ou no STF, deixaria Getulio Vargas orgulhoso.
*O autor é deputado estadual em Santa Catarina.








