Que nome deverá ter o nosso futuro País?

Plebiscito-02Por Celso Deucher*

O assunto é recorrente e vez por outra volta a discussão especialmente nas mídias sociais, onde o Movimento pela independência do Sul tem recebido a adesão de milhares de cidadãos nos últimos anos. É perfeitamente compreensível que as pessoas imbuídas do desejo de separar o Sul se perguntem qual vai ser o nome do novo país. Também é compreensível que alguns tenham sugestões para este nome e até fundamentem estas sugestões de acordo com as suas conveniências. O que não é compreensível é a convicção de alguns que acreditam que têm que parar tudo para decidir que nome teria este país, se nem mesmo conseguimos força para levarmos o Movimento de conscientização plebiscitária as ruas.

Sem querer dar por encerrado o assunto, nos próximos parágrafos vou tentar explicitar algumas das minhas convicções acerca do tema, motivado pura e simplesmente pela vontade de chamar a atenção dos compatriotas Sulistas para nosso foco e as metas do Movimento. Trata-se da opinião de alguém que luta por esta causa faz 24 anos e passou, diversas vezes, por estas discussões enfadonhas e cheias de “não me toques”.

Minha primeira certeza é que tudo tem seu momento, tudo tem sua fase e principalmente tudo tem seu tempo de maturidade. O Movimento de Libertação Sulista sequer passou da fase organizativa. Me perdoem, mas a maioria dos que provocam estas discussões não tem noção quanta gente já perdeu dias, meses, anos, tentando fazer isso e no final descobriu que nem o básico como militante fazia.

Neste sentido, não temos que ficar reinventando a roda discutindo nome de país. Somos Sul-Brasileiros e é assim que o mundo nos reconhece. Não há nenhum mal intrínseco em querer abandonar toda e qualquer nome que lembre que um dia pertencemos ao Brasil, assim como muito menos há mal algum em ser aquilo que de fato somos neste momento: Sul Brasileiros. Internamente podemos inventar o nome que bem entender, mas externamente ninguém vai estar nem um pouco preocupado com essa criatividade toda. Muito pelo contrário, vai piorar tudo pois, teremos que investir milhões de bites, além de muito dinheiro, para comunicar a todos pelo mundo que afinal, um gênio por aqui criou um nome extraordinário para um país que nem sequer existe ainda. Portanto, vamos devagar com este andor. Haverá o momento certo para se discutir o nome do nosso país e ele virá acompanhado de toda uma estratégia de trabalho e de luta. E o mais importante, na hora certa não será meia dúzia de pessoas que vão decidir isso e sim nosso povo em plebiscito.

Mas é importante que se diga que ninguém está proibido de debater o assunto, porém, a instituição O SUL É O MEU PAÍS não tem, até este momento, nenhuma deliberação oficial que dê amparo a esta discussão. Todas as discussões envolvendo tais temas tem que acontecer nos Congressos e Assembleias para ter validade.

Quando discutimos este assunto, em 2006, a conclusão que chegamos é que até alcançarmos a segunda fase do processo, usaremos a expressão UNIÃO SUL BRASILEIRA, para nominar o projeto de país que queremos. Veja que não é o nome do país e sim do Projeto de país. Neste sentido, é importante que os novos simpatizantes, militantes e lideranças saibam e respeitem as decisões já tomadas em assembleia geral por aqueles que lá estavam e que tiveram a coragem de apresentar o projeto e defende-lo diante dos demais compatriotas.

Portanto, já disse e repito, no atual momento da nossa luta libertária, todos devem focar na organização e na ação para que a causa vá as ruas, ou seja, nosso Plebiscito Consultivo que vai acontecer no próximo dia 2 de outubro. Todas as demais coisas virão depois, no calor dos debates, no calor da luta, na participação da maioria dos nossos cidadãos. Aliás, para alcançarmos esta maioria temos que ter a consciência de que muitos sequer sabem da nossa existência. Isto se deve, em grande parte, a nossa incapacidade de deixar de discutir assuntos não pertinentes para o momento, para buscarmos avisá-los e conscientizá-los da necessidade de separação e de votar sim no Plebiscito de outubro.

Temos reafirmado nos debates nas mídias sociais que com tais discussões corremos o risco de sermos imaturos e alertamos até do perigo de não sermos levados a sério. É uma verdade. Há assuntos que discutidos na forma e no momento errado, passam esta impressão. Isso, além de causar rupturas na unidade do grupo, ainda mostra publicamente o quanto alguns de nós somos imaturos pela total falta de conhecimento do que seja esta causa.

Essa questão do nome do País terá seu momento e não vai de forma alguma ser decisão de facebook/whatsapp. Todos os que quiserem ser levados a sério vão ter que passar por nossas assembleias e congressos. Lá, exercitando a nossa democracia interna, terão todas as chances de defender seus projetos e de votarem e aprovarem os melhores. Fora destes eventos presenciais de debate, não há decisão alguma que tenha validade.

Não pensem que não tenho minhas convicções sobre o assunto. Evito expô-las justamente para não investir meu tempo e minhas energias discutindo no momento errado e pior, correndo o risco de ter que me estressar com gente que não entende a grandeza de uma causa como a nossa. E não estou repreendendo de forma alguma (e penso que muitos sabem disto) os compatriotas que apresentam seus projetos para discussão nas mídias sociais. Pode vir a ser saudável e salutar a discussão. Porém, neste momento, reputo a atenção ao assunto como infrutífera e sem resultados práticos.

Sinto que tem gente no nosso meio que pensa que separar um país é “molezinha”, coisa de algumas milhares de curtidas no facebook e compartilhamentos no whatsapp(sic)… Internet é meio de comunicação e divulgação e se queremos nos aproveitar dela, temos que otimizar os seus meios e resultados.

Há pesquisas que apontam que mais de 82% das postagens (que se pretendem informativas) no facebook não criam discussão alguma que tenha resultados práticos. No caso da luta Sul-Brasileira, a internet como um todo, vem sendo fator essencial para a captação de militância. Veja que a maioria dos que hoje simpatizam com a causa foram encontrados graças a esta ferramenta maravilhosa chamada Facebook.

O segundo passo, que é transformar simpatizantes em militantes é que vem emperrando. Um exemplo disto é o seguinte: pergunte-se a todos os tais “facebookianos”, quantos leram o Estatuto, a Carta de Princípios, o Manifesto Libertário, as Declarações de Direitos e as Declarações de Orientação filosófica do Movimento O Sul é o Meu País… Certamente não vamos encontrar mais que 1%. Resultado disto são as discussões esquisitas e até certas aberrações ideológicas nos nossos grupos de debates. Pior, tem gente que ainda fica chateado quando vamos lá e deletamos certos tópicos que nada tem haver com a causa que defendemos ou se tem, defendem ideias alienígenas que mais parecem cavalos de tróia plantados no nosso meio. O espaço cibernético serve para isso apenas comunicação. O Movimento de fato tem que acontecer no “corpo presente”. Na rua, na escola, na fábrica, no escritório, na lavoura, dentro de nossos lares, etc…

Por fim, rogo a todos que encontrem (seja lá onde estiver) a maturidade e a compreensão necessária para entender o que se passa e o que precisa ser feito em prol desta causa. O Movimento O Sul é o Meu País, como instituição oficial, tem dado todas as coordenadas, estabelecendo metas de trabalho e gestionando ações que levem a passos concretos em prol da nossa autodeterminação.

Como cidadão Sulista, nosso simpatizante não tem que concordar com tudo que a instituição diz ou faz. Porém, se quer mesmo ajudar, mas tem discordâncias, é imprescindível entrar na instituição e ser o agente da mudança. Praticamos a democracia interna faz 22 anos e tem dado certo. Portanto, quem acredita na causa e na instituição que lhe dá suporte,  tem que saber que é hora de prestar mais atenção nas metas que temos e que precisamos de cada um para concretizá-las. Quem acredita nisso, deve conscientemente passar a focar na divulgação e na organização do Movimento em sua cidade, unindo-se aos demais ou formando novos grupos de trabalho. Assim teremos uma instituição forte para nos dar amparo e rumo nas ações que ainda precisamos fazer para ver nosso Sul Livre.

Qual nome vai ter nosso Sul? Pessoalmente, tenho minhas convicções e vou fundamentá-la no momento que a instituição resolver que chegou a hora de discutir este assunto. Certamente neste dia outras centenas de nomes surgirão e seja qual for o escolhido, vou acatar fervorosamente, pois acima de tudo, para mim, existe uma organização que se chama O Sul é o Meu País. Graças a este nome e a esta instituição estamos vivos até hoje. Todas as outras organizações que nasceram juntas conosco na década de 1990 (muitas com seus projetos de país, nomes, bandeiras, hinos, etc) sucumbiram, por que não respeitaram o tempo e as ações necessárias para o seu amadurecimento. Sucumbiram principalmente por que nunca ouviram os principais interessados na separação do Sul: os cidadãos do Sul. Este erro, nossa instituição não vai cometer.

Por fim, aqueles que querem de fato contribuir para nosso Sul Livre, devem com idealismo engajado manter o Foco, investir na Organização e principalmente, planejar e fazer as ações necessárias para cumprir as metas estabelecidas pela instituição. Dia 2 de outubro, na sua cidade, vai ter urna do Plebiscito Consultivo. Seja um voluntário para cuidar de uma delas e ajude a construir a vontade soberana de nosso Povo.

*O autor é ex-presidente nacional do Movimento O Sul é o Meu País e Secretário Geral do Gesul (Grupo de Estudos Sul Livre).

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