Celso Deucher*
“O que existe de sobra por aqui é medo, muito medo de que a Catalunha exporte democracia para o mundo. Que as mais de 400 nações presas a estados que não querem, se animem e transformem este mundo num lugar muito melhor para se viver, sem o neocolonialismo interno, que neste momento está a todo vapor em todas as partes do Planeta”.
Os mais antigos, em nome da parcimônia, ensinavam que não é bom criticar (ou se meter) com padre e juiz, assim como para não perder a amizade deve-se evitar discutir religião, política e futebol. Mais recentemente incluíram na lista do que não é bom “se meter”, a imprensa. O quarto poder teria todos os instrumentos para matar uma pessoa e deixá-la perambulando pelo mundo.
Isso é verdade e vem acontecendo diariamente no Brasil. Temos uma multidão de inocentes vitimados pela imprensa, ao mesmo tempo que pululam bandidos, exaltados pelos meios de comunicação, protegidos pelos bilhões que investem corrompendo rádios, TVs, jornais, sites, etc. Nunca esteve tão em voga o “jabá” e os “penas alugadas” como nestes últimos anos. E falo tudo isso, por que conheço o setor. Trabalho em comunicação faz 28 anos. Salvam-se nesta “casa de alteire” a guerreira imprensa do interior. Com suas peculiaridades, esta imprensa mantem-se porta voz dos povos dos brasis e de suas demandas, até por que passa à minguá de verbas federais.
Diante deste quadro, é fácil perceber por que não se consegue ver absolutamente nada dissonante no verdadeiro jogral da grande imprensa brasileira. Todos contra a independência da Catalunha. Amordaçada por Brasília através das concessões e empréstimos a perder de vista do BNDS, essa imprensa esforça-se para parecer isenta e os seus colaboradores, colegas jornalistas, presos a seus empregos (com salário de fome), prostituem sua ética profissional, repercutindo simplesmente aquilo que a “patronagem” exige. Para esta imprensa tudo é preconceito, fascismo, discriminação… Estimulam o debate raso e sem ética, fomentando a discriminação.
Prova maior é a forma como vem sendo abordada a questão da Catalunha. Não se viu na grande imprensa do Brasil um simples questionamento se os Catalães têm ou não direito de opinião e expressão, que é a base do direito de autodeterminação. Não seu viu também ninguém sequer aventar a possibilidade de que as leis draconianas da Espanha não podem impedir os Catalães, assim como qualquer povo, do direito sagrado e irrenunciável de votar a favor de não pertencer a um estado que não se sentem parte. Inexiste nesta grande imprensa um simples questionamento sobre a legalidade da votação do Parlamento Catalão, que possui maioria “separatista”. Afinal, não se aceita mais no Brasil maiorias parlamentares? Ou seria a aceitação da verdade que o Movimento O Sul é o Meu País prega já faz 25 anos, que a representatividade parlamentar no Congresso Nacional é ilegítima?
Ninguém dos grandes veículos de comunicação por aqui fala da aberração que é um estado nacional, a pretexto de defender sua integridade territorial, manter um povo escravo como mero escravo produtor de riqueza. Qual a diferença com o antigo sistema colonial? Absolutamente nenhuma. Madri, assim como Brasília, rouba a riqueza de seus povos e distribui pobreza. Em grande parte, é desta relação antidemocrática que surgem os independentismos.
O que existe de sobra por aqui é medo, muito medo de que a Catalunha exporte democracia para o mundo. Que as mais de 400 nações presas a estados que não querem, se animem e transformem este mundo num lugar muito melhor para se viver, sem o neocolonialismo interno, que neste momento está a todo vapor em todas as partes do Planeta.
A União Europeia morre de medo que as nações sem estado transformem aquele continente em mais de cem países. As Américas tremem nas bases pois possuem mais de oitenta movimentos de Independência em seus territórios. Na Ásia não é diferente e por lá, a coisa tende a esquentar mais ainda nos próximos anos com mais de setenta movimentos. Na África, centenas de povos continuam aprisionados a Estados totalitários e uma eventual secessão da Catalunha inspiraria certamente muitos deles a quebrar as correntes. Em todos os continentes do planeta há um grito de liberdade sendo ecoado e um questionamento, cada vez mais veemente da legitimidade dos estados nacionais e suas práticas neocoloniais.
Na América Portuguesa, os últimos anos mostram que os níveis de perigo para o status quo tutelado por Brasília, tem aumentado. A Meca da corrupção nacional e seus donos tem que manter seus feudos produzindo riquezas para sustentar além das oligarquias de esquerda e direita, os dutos gigantescos por onde escorrem bilhões de reais para a corrupção, incluindo a legalizada, como o Fundo Partidário.
Por isso, é muito perigoso que a imprensa nacional dê qualquer razão aos Catalães, pois os independentismos dos brasis, certamente vão pegar carona e as correntes fatalmente se quebrarão. Num simples, mas lógico raciocínio, a mamata acaba. No nosso caso específico, as Colônias do Sul param de mandar suas riquezas para Brasília e a bandidagem fica sem o que afanar. Daí que a grande imprensa não recebe mais suas propinas legalizadas, como os anúncios das “ações” governamentais, principal moeda de troca de favores entre o comando central e seus fiéis escudeiros. Quer motivo mais importante para que os Catalães sejam demonizados por aqui?
Meu avô sempre dizia que quanto maior é o paiol de milho, maior é o número de ratos que atrai. Os que defendem Brasília e a farsa federalista brasileira, nada mais são que os ratos da ilha da fantasia encastelada no Planalto Central. Assim como na Espanha os Catalães estão gritando cada vez mais alto “Basta de Madri”, por aqui, já ecoam vozes significativas com um retumbante “Basta de Brasília”.
* O autor é jornalista, ex-presidente do Movimento O Sul é o Meu País e Secretário Geral do Gesul – Grupo de Estudos Sul Livre.









7 Comments
Esta nossa luta será longa, talvez só possa ve-la lá do outro lado, mas perserverar é preciso e para tanto temos que dar um passo de cada vez ! Venho defendendo e deixo aqui esse comentário para que seja difundido que os defensores da causa Sulista, comecem a abrir espaço político dentro do atual sistema, que todos votem nas próximas eleições somente quem estiver comprometido com a nossa causa.
Sobre a secessão da Catalunha há um erro específico que o Movimento não pode cometer: o plebiscito consultou apenas 43% da população. Por raciocínio superficial, em tese, não seria possível afirmar o autodeterminismo e, consequentemente, a secessão.
No caso da Catalunha, me parece, que foi mais uma revelia duma aristocracia do que um desejo da população.
Creio que no nosso caso, teremos uma loga tarefa: 1) Unificar o Sul como um Estado – já está em processo; 2) Formar um corpo político nas Assembleias e Câmara Federal; 3) e o principal: legitimidade para representar a nova Nação – sendo necessário adesão superior à 80% do povo sulista.
O caso da Catalunha é um exemplo de como Brasília irá reagir ao separatismo.
Imanige os turcos imigrantes na Alemanha, em sua alto-determinação querer para si uma região da Alemanha?
Os brasileiros do Sul depois de imigrar para o Sul, agora querem esta região do Brasil só para si. Deve-se analisar aspectos Éticos.
Os sulistas esquecem um detalhe: a região sul é dos Brasileiros, não apenas deles.
O caso da Catalunha é bem diferente, eles foram anexados a Espanha. E é importante registrar que políticos da Catalunha que tem intereses espúrios. Definitivamente, não há uma opressão do Governo espanhol sobre àquele povo. Lá foram votar apenas 40% de sua população, e a cada referendo diminui os interessados em votar.
E no sul do Brasil? Quantos por cento? 5%-10%?
Este movimento é legítimo até porque acredito que o Sul está ainda em formação de identidade. É importante para a maturidade do brasileiro, carente na identidade e auto-determi ação.
Agora querer expropriar estas terras de todos os brasileiros, é desonesto, chega a ser uma alucinação coletiva.
Este movimento lembra muito o fascismo e um pouco o nazismo. É assim que o brasileiro de outras regiões interpretam.
Até porque este movimento deveria sugerir as mudanças tributárias, legislativas em Brasília. Deveria lutar contra os corruptos brasileiro.
É evidentemente o oportunismo, anti-ética deste movimento.
Luciano, pela sua afirmação se vê que pouco conhece de história.
O Facismo e o Nazismo, tal como o Comunismo, são regimes que buscam aumentar o Estado, tanto em tamanho como em Poder. É exatamente ao contrário do que o Movimento O Sul é o Meu País prega, que é o Estado mínimo.
E um Estado mínimo não quer dizer um estado fechado para a globalização, muito pelo contrário. O foco de um Estado mínimo é proporcionar melhor gestão para cada região, possibilitando aumentar sua capacidade competitiva frente ao mundo.
Estados menores é uma tendência histórica. Tem 1917 tínhamos apenas 64 países no mundo, hoje temos mais de 200.
E novamente sua afirmação sobre o Sul é equívoca. A luta pela independência vêm desde o século 18, quando o cacique Sepé Tiaraju se revoltou contra as incursões espanholas e portuguesas. Os imigrantes se juntaram com os indígenas e hoje sim pedem a independência do Sul, pois o Estado brasileiro tem sido muito falho com a região e tem usado como colônia.
Você deve ser de outra região, e claro que não deve conhecer a cultura do Sul, pois o Brasil não a valoriza. As aberturas da Copa do Mundo e das Olimpíadas foram um ótimo exemplo, onde só foi mostrada a cultura do Sudeste (Rio de Janeiro) e do Nordeste. O Governo Brasileiro há décadas tenta eliminar a cultura existente no Sul.
Também eras ao falar sobre o processo eleitoral da Catalunha.
Lá o voto não é obrigatório. Por causa disso é em torno de apenas de 60% do eleitores que realmente votam.
Foram 43% dos eleitores que votaram no Plebiscito deles, isso que várias urnas foram fechadas pela Espanha. Então sim, o resultado demonstrou claramente a vontade do povo Catalão.
E a Catalunha novamente dá um grande exemplo de democracia, eles irão participar das eleições de 21 de dezembro, convocada de forma autoritária pelo Governo Espanhol. Eles irão mais uma vez ganhar a maioria do Parlamento Catalão e irão declarar a independência mais uma vez.
Concordo totalmente com o Luciano. Esse movimento “o sul é o meu país” é oportunista, ilegítimo e clandestino. Seus argumentos para uma eventual separação são fracos, não convencem. Vem falar de cacique sepé… pelo amor de Deus! Quem fica fomentando esse tipo de distúrbio deveria ser investigado e preso isso sim! Eu conheço o sul porque já morei lá e isso tudo aqui é Brasil. Não causem mais problemas do que já temos. Nem vou mais perder meu tempo postando nisso aqui. Fui!
Oldair
Discordo com o Luciano. O movimento o sul é meu país é maravilhoso, tem um parâmetro excelente, e estou totalmente de acordo,SUL LIVREEE!!
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