Diariamente enforcam Tiradentes

TiradentesA presente Nota Oficial lançada no dia 21 de abril de 2003, feriado nacional em memória de Tiradentes, é uma crítica ao sistema e ao Estado brasileiro. A Nota deixa claro que no Brasil, primeiro se matam as vítimas, depois as transformam em heróis e até cultuam suas memórias. Aconteceu com Tiradentes, com Anita Garibaldi, com Frei Caneca e com tantos outros mártires dos seus povos. A todos o Brasil perseguiu e quando conseguiu, matou e até esquartejou, jogando sal em suas propriedades para que ali nada mais pudesse nascer. Este documento critica duramente este comportamento hoje institucionalizado também na grande imprensa brasileira.

Diariamente enforcam Tiradentes

No país dos desequilíbrios, um contrassenso a mais não chama muito a atenção, e nem o próprio sistema federativo, grande responsável, se constrange com seus atos ambíguos e contraditórios. A data de 21 de abril é digna de meditação e análise a ser feita por nós, os inconformados com os desmandos e descompassos do modelo arcaico e falido que não deu certo e que as oligarquias políticas e os monopólios econômicos tentam mantê-lo vivo artificialmente.

Tiradentes foi aclamado pela História como o “inconfidente brasileiro” e em reconhecimento de seu holocausto e amor à causa libertária, seu nome foi inscrito em bronze no Panteão da Liberdade. Aclamado como patrono de grande número de instituições militares e civis, continua hoje sendo conhecido nacionalmente como o líder da Inconfidência Mineira. Porém, ninguém é capaz de reconhecer que ele jamais lutou pelo Brasil. Foi exatamente contra o Brasil (que era Portugal) que ele se imolou em prol da separação da sua pátria, Minas Gerais.

Portugal festejou o seu enforcamento e esquartejamento e transformou o algoz mentor da repressão, o Conde Resende, em herói do Brasil. Em Portugal e no restante do Brasil, Tiradentes ficou conhecido como conjurado, separatista, traidor e inconfidente. Anos depois, no mesmo Brasil já separado e independente, o conde foi homenageado e seu nome foi emprestado a uma das cidades mais importantes: Rezende/RJ. Tiradentes continuou a ser conhecido no Brasil como inconfidente, cuja tradução significa traidor!

Até hoje não vimos o sistema resgatar sua memória, apagando da História “oficial”, ministrada nas escolas, esta nódoa, este termo “inconfidente”. Em resumo, ensinam que o herói nacional deve ser conhecido como um infiel, um traidor.

Porém, o maior contrassenso se estabelece quando, um dia por ano, se homenageia a memória libertária de Tiradentes e nos demais dias do ano suprimem a liberdade de quem luta pelos mesmos ideais de liberdade e de autodeterminação. O ex-ministro da Justiça Maurício Corrêa, em maio de 1993, ao atacar os movimentos seccionistas do Sul, estava enforcando Tiradentes novamente. Fazendo coro com o sistema que representava, pregava a democracia e ambiguamente, reprimia a liberdade de expressão e de pensamento.

A Rede Globo, quando proíbe seus veículos de publicar matéria que questione o centralismo e autoritarismo de Brasília, enforca Tiradentes novamente. Toda semana temos mandado matérias e notícias aos grandes meios de comunicação para serem publicadas. Como resposta, somos contemplados com o silêncio ou, quando muito, com as eventuais situações vexatórias que tentam artificialmente criar. A cada um destes atos que tentam contra a liberdade de pensamento e de expressão, estão novamente enforcando Tiradentes.

O Juiz de Direito de Passo Fundo, também enforcou Tiradentes quando se fundamentou na lei esdrúxula, arbitrária e revogada constitucionalmente, que deu sustentação à ditadura e aos regimes militares brasileiros, ao negar o registro da Comissão Estadual do Movimento O Sul é o Meu País do Rio Grande do Sul, anos atrás, apesar de já temos conseguido os registros no Paraná e Santa Catarina.

Dezenas de exemplos da ambiguidade do sistema poderíamos narrar: aprisionam e enforcam as ideias, reverenciam os algozes e fazem homenagem póstuma às suas vítimas.
Recentemente, a Rede Globo mostrou que se Jesus Cristo voltasse e fosse a julgamento nos dias de hoje, seria novamente condenado e crucificado. Depois seria venerado e suas ideias de fraternidade e justiça social seriam usadas nos palanques eleitoreiros do sistema, tal qual fizeram com Tiradentes há mais de 200 anos e continuam a fazer hoje com seus ideais de autodeterminação e de liberdade, agora assimilados e encarnados pelos sulistas, já preparados e ansiosos pela data da senha: “TAL DIA A SEPARAÇÃO”.

Celso Deucher
Secretário geral do Gesul e ex-presidente Movimento O Sul é o Meu País

Laguna, terra de Anita Garibaldi, 21 dias do mês de abril do ano de 2003.

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