
Por Elias Boza*
Hoje, dia 2 de julho, Pernambuco comemora uma de suas datas magnas, os 193 anos da revolução republicana emancipatória que se alastrou por quase todo o Nordeste, chamada CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR, que se deu em 2 julho de 1824. Tinha como raízes o movimento da Guerra dos Mascates e a Revolução de 1817, essa última que tornou o Nordeste um país livre de Portugal e do Brasil.
Os motivos da Confederação do Equador foram diversos, sendo os mais notórios, a repulsa pela exploração irresponsável do Nordeste e o absolutismo monárquico, que sempre representou tirania na região, que por 200 anos foi a mais próspera das Américas. O que precipitou a Revolução, encabeçado por Frei Caneca, foi a dissolução da assembleia constituinte por Dom Pedro l, no ato da independência do Brasil de Portugal em 7 de setembro do ano anterior.
Pernambuco não aceitou nem se curvou a uma constituinte que lhe traria um regime altamente centralizador, sabendo que caso houvesse aceitação, em pouco tempo o declínio de capital, comércio e riqueza da província e da região seria um fato. Mais que isso, Pernambuco esperava que a primeira constituição do império seria federalista e daria por lei, a autonomia que sempre teve, para que também as províncias pudessem resolver suas questões. Esta esperança foi frustrada pelo ato autoritário de Dom Pedro de dissolver a constituinte de 1823 e outorgar uma totalmente centralizadora. Resultado disto, é claro, seria o declínio do nordeste, o que de fato aconteceu.
Tendo estes motivos como pano de fundo, a revolta se plantou e a revolução eclodiu em Pernambuco, logo seguido por Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. O sonho da independência era maravilhoso, pois mais uma vez o Nordeste estava unido e unânime na sua independência.
Mas querer liberdade no Brasil é um pecado mortal. Por liderar a revolução Pernambuco foi severamente punido num ato inconstitucional de Dom Pedro, que matou os idealizadores do Movimento e mutilou ainda mais seu território. Pernambuco perdeu a comarca do São Francisco, região rica, mesmo sabendo Dom Pedro que nenhuma província teria capacidade de gestão da grande comarca. Sabia ele que a constituição vigente naquele momento proibia mutilar uma província a benefício de outra, tanto que pela constituição atual, as terras ainda pertencem a Pernambuco, mas a sua tirania e seu absolutismo falaram mais alto.
Sem muito esforço é fácil entender que a centralização outorgada pelo autoritário príncipe se sistematizou pelas mentes e principais instituições sudestinas. A centralização do poder e capital na região mais nova do Brasil, a começar pelo Rio de Janeiro, que grande parte da sua construção e poder financeiro deve-se ao fato da fuga de Dom João Vl de Portugal para morar no Rio, por sua escolha, pesando sua mão nos impostos das províncias mais prósperas, a maior delas Pernambuco – que enquanto produzia para enriquecer a nova capital do Brasil, vivia numa desgraça de declínio junto com toda região Nordeste.
NÃO! Nunca foi, não é e nem nunca será a seca, o principal declínio de capital financeiro do Nordeste, e sim o monopólio centralizador que ainda existe e dificilmente vai mudar. Não temos um país federalista e, infelizmente, nem o teremos. O que fazer, o que pensar sobre isso? Aceitar? O sangue dos revolucionários da Confederação do Equador clama por nossa atitude. Clama pela continuidade do idealismo que sempre tivemos e da volta de nossa região ao topo, que é seu lugar de direito!
Viva a Pernambuco! Viva o Nordeste! Vida a nossa independência!
*O autor é membro do Movimento Nordeste Independente. Fonte: https://www.facebook.com/movimentonordesteindependente/posts/1473040969400579:0









1 Comment
Muito bom o texto! Um rico resumo. Boa sorte a todos! Deus Abençoe | BastaDeBrasília
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